Brasil inova no campo da robótica

Programa que permite a um tetraplégico ter acesso ao computador é um dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos
As pesquisas brasileiras de alta tecnologia na área de robótica começam a se destacar no País e já chamam a atenção da agência espacial norte-americana NASA. Um sistema que permite ao robô realizar buscas em territórios espaciais; um braço robótico com tecnologia e matéria-prima nacionais para ser usado em cirurgia videolaparoscópica; e ainda um programa que permite a um tetraplégico ter acesso ao computador são alguns dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos pelo Laboratório de Robótica Inteligente sediado no Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A empresa norte-americana Addx Corporation, representante da NASA, ao ler o estudo divulgado pelo pesquisador Edson Prestes em publicações internacionais, entrou em contato com a UFRGS, solicitando um projeto especial. A pesquisa trata do desenvolvimento de um sistema inédito, que permite uma grande simplificação na criação da programação do robô. A tecnologia foi desenvolvida por Prestes, orientado pelos professores Paulo Engle e Marco Idiart.

Com isso, é possível inserir o sistema num hardware e acoplá-lo a um robô, processo até então inviável, segundo Prestes. O novo sistema permite que o robô realize tarefas difíceis de ser executadas pelo homem como: encontrar pessoas no caso de incêndios e desmoronamentos, detectar minas terrestres, e até mesmo limpar vidros de altos edifícios, além de trafegar em áreas espaciais.

Após quase quatro anos desenvolvendo sua tese de doutorado, Peres conseguiu encontrar um comando comum, capaz de unir dois tipos de algoritmos usados na programação do robô. Esses números são usados para determinar a rota do robô e permitir que ele planeje seu próprio caminho em terrenos desconhecidos, dispensando uma pré-programação. A pesquisa está em processo de patenteamento.


Braço Robótico

Outra pesquisa em desenvolvimento pelo UFGRS é o Braço Robótico usado para auxiliar cirurgias laparoscópicas. Segundo Prestes, o protótipo deverá ser finalizado no início do ano que vem. E já recebeu cerca de R$ 70 mil em financiamentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Faperg), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Fundo Setorial para a Tecnologia da Informação (CT-Info) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Prestes conta que no lugar do médico que opera o endoscópio durante a cirurgia laparoscópica é usado o Braço Robótico. Com isso, há maior precisão nas ações e melhor captura de imagens. Além disso, as imagens poderão ser transmitidas, via Internet, para médicos especialistas localizados em diferentes partes do mundo.

O Braço Robótico atenderá por comando via voz, em português. Segundo Prestes, o novo equipamento custará dez vezes menos que um similar importado, por deter tecnologia e matéria-prima nacionais. O preço estimado é de R$ 120 mil.

A idéia, conta Prestes, é desenvolver um equipamento flexível e fácil de ser transportado, ao contrário dos importados.

"Queremos fazer um sistema a cuja tecnologia tanto os hospitais particulares quanto os públicos tenham acesso", diz o pesquisador Prestes.

Países como Estados Unidos, Canadá, Japão, União Européia e Israel já estão investindo pesadamente no desenvolvimento de novos braços robóticos.


Sistema para deficientes

Outra pesquisa que está sendo desenvolvida por Prestes consiste num sistema que possibilitará ao tetraplégico ter acesso aos programas de computador por meio pequenos gestos, como um simples piscar de olhos.

Apesar de não receber financiamentos de nenhum órgão, Prestes conta que já desenvolveu um sistema que permite, com um fechar de mão, clicar com o mouse, e, ao abrir a mão, navegar no programa. Isso é possível graças ao uso de uma câmera na Internet (webcam). Prestes afirma que o objetivo é fazer com que o deficiente físico, por meio de pequenos movimentos, digite textos, receba e-mails, controle a própria cadeira de rodas e até mesmo organize sua casa inteligente, como acender a luz e aumentar o som.


Fonte: Panorama Brasil

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